A Madeira vende-se como Funchal e fotografa-se em todo o resto. A ilha é um vulcão com uma estrada à volta e uma crista ao meio, e o que a torna digna do voo é que a crista está quase sempre acima das nuvens: no Pico do Arieiro, ao nascer do sol, está-se em sol limpo a olhar para um chão de nuvem com dois outros picos a atravessá-lo. É um sítio específico a uma hora específica, e o pequeno parque de estacionamento lá em cima enche muito antes de o sol nascer.
O resto da ilha divide-se por tempo. O Fanal, a laurissilva no planalto a noroeste, só resulta com nevoeiro — num dia limpo é um campo com árvores — o que faz dele o único local que se remarca de verdade em vez de se esperar pelo melhor. Várias levadas passaram a ter entrada paga através da autoridade florestal, e quais mudam, por isso confirma-se em vez de se assumir. E a nota honesta para quem marca sessão de praia: a Madeira quase não tem areia. O Porto Santo, a quarenta minutos de avião, tem nove quilómetros dela.